terça-feira, 5 de julho de 2016

Devaneios

Tardou. Não chegaste. Percebo, numa angústia que sufoca, que nunca houve um perdão. Aliás, nunca houve a oportunidade de remediar, de curar feridas e de sarar com novos momentos. Recuo no tempo e faço um esboço da realidade: a carvão desenho momentos da vida a preto e branco. A ingenuidade e, quiçá, a imaturidade

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Dois cafés, por favor!

Não sei quanto tempo mais sou capaz de resisitir à força do esquecimento. Começa a ser insuportável a dor de não recordar a tua voz, o teu abraço ou o sabor do teu beijo. Resta-me guardar, em mim, o teu sorriso. É das poucas coisas que não se desvanceram com o tempo. E sabes porquê? Foi por isso que me rendi a ti. O batom recortava, delicadamente, cada retraço dos teus lábios. Os teus olhos fechavam, quase nada, e arrebitavas as maças do rosto. Eras o meu fruto proibido num cenário que sempre imaginara.

Desculpa. Por ter abandonado o início da nossa aventura. Continuas a ser a pessoa certa. Apenas aconteceu no período de tempo errado. Passaram-se anos e continuo prisioneiro de um sentimento que apagaste. Aprendi que não tenho o direito de entrar na vida de alguém quando parti sem deixar uma mensagem. Acredita, nunca deixei ninguém sem uma justificação. Foste e continuarás a ser sempre a única que me fez acreditar que é possível amar a partir do primeiro momento em que os nossos olhares trocaram mais do que expressões, um sentimento.

Dizem que o mundo se altera com uma única ação que praticamos. Diz-me: que preciso eu de fazer para te encontrar de novo? Não quero conhecer o mundo sozinho. Quero-te ao meu lado e só assim descobrirei a verdadeira essência do que é descobrir, cuidar  e partilhar.

Quero levar-te o café à cama. Deixar aquele aroma no ar. Não sei como gostas dele. Ou se eé um expresso ou um descafeinado. Tenho um palpite: café curto, forte e, se possível, vários ao dia. É a cafeína que te desperta. É a tua droga. Daria uma volta ao mundo contigo em busca do melhor. No intervalo, cruzaríamos céus e mares. Descobririamos o mundo dentro do nosso.

Recuso dizer adeus. Os anos passam e és uma memória bem mais viva do que esquecida. O engraçado disto tudo? Sei que as nossas mãos juntas transmitem a energia suficiente para iluminar, de novo, os caminhos que outrora se cruzaram.

Deixa que seja louco. Não tenhas medo. Apenas quero recordar a tua voz, o teu abraço e o teu beijo. Essas são as minhas drogas. Continuarei a viver sem isso mas não serei feliz. E um louco só o é se perder a noção do mal quando tem em si toda a bondade.

Estarei à tua espera. Sei que nos veremos novamente. Irei recusar as probabilidades que esto contra nós e, uma vez nos meus braços só te deixarei partir com uma promessa: que não falte café para tomarmos, na manhã seguinte ao primeiro raio de sol.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Rolha #14

Do you remember? 

Tristeza. É com um dos piores sentimentos que escrevo o último post do blog. Um último desabafo, uma última lágrima... uma última colisão de palavras com um fim muito próximo.
Acreditei, fiquei com esperanças e voltei a sentir o que nunca antes havia sentido. Forte e, até agora, permanente.
Sinto-me um perfeito idiota. Porque é que estou eu a insistir em algo perdido? Porque continuo a olhar para o espelho e acreditar que desta vez é possível? Porquê?
Será pela primeira palavra? Brincadeira? Beijo? Sim. Tudo isso. Pelo sorriso incessante que me cativou, pela simpatia mal humorada ou, simplesmente, pela forma carinhosa com que sempre me tratou.
E eu, o que lhe dei? Absolutamente nada! Sinto-me como uma formiga num oceano. Perdida do mundo sem nunca mais ter a possibilidade de ver terra à vista! Sinto-me fraco, perdido ... apaixonado. Numa altura em que já perdi quase tudo, resta-me olhar para o passado e recordar todos os bons momentos. E eu lembro-me de todos. Sim, EU lembro-me!
Do primeiro beijo, da primeira desilusão, do primeiro abraço, do primeiro sorriso, do primeiro olhar, da primeira palavra, do primeiro carinho, do primeiro sinal... lembro-me e enfraqueço-me ainda mais. Os olhos lubrificam-se constantemente, a saudade aperta mas, no fundo, o que mais custa é perceber que nunca mais vou ter a oportunidade que desperdicei. A oportunidade de fazer alguém verdadeiramente feliz, de mostrar quem e o que sou... de construir um simples "forte" em conjunto. Comecei a acreditar que isso era possível. O tempo não parou e os sentimentos também não. Eu continuo a desfazer-me em algo que não vai voltar, a aumentar o que sinto e a ter esperança de que os olhos de quem perdi consigam realmente perceber o que mudou... não eu... mas o que sinto.
No entanto, sei que acabou. Um "não" que vai fazer com que me afaste de quem eu menos quero afastar-me.
É impossível negá-lo quando está estampado em mim. Sim, sou idiota! Idiota por acordar todos os dias com aquele sorriso, simpatia e olhar dentro de mim. Mais idiota é perceber que sou o único a faze-lo. Detesto que construam uma imagem que não é a minha. Detesto a pessoa demasiado sensível que sou. Detesto estar sempre pronto a ajudar mesmo sem pedirem. Detesto sem tão eu!
O que posso eu fazer? Neste momento, selar o assunto só para mim e fazer o que sempre fiz... refugiar-me no meu espaço sem que ninguém se aperceba do que se passa. Detesto preocupar as pessoas... detesto magoá-las e fazer com que percam a confiança em mim.
Porque continuo a escrever? Porque mil e uma palavras seriam insuficientes para demonstrar o quão desiludido comigo mesmo estou... seriam muito menos para demonstrar o deserto em que me encontro... e seria impossível explicar o que sinto.
Mais uma vez, adormeço com a mão aberta na esperança de que a voltes a agarrar como da primeira vez mesmo sabendo que todas as manhãs irei acordar da mesma forma que adormeci... sozinho e sem o bater do coração suficiente para voltar a encarar a realidade.
Agradeço o simples facto da sua existência. Aquece-me por dentro e refresca-me por fora. Agradeço a sua preocupação, a sua disponibilidade... aquilo que me ensinou e me continua a ensinar. Agradeço tudo que envolva a sua natureza intocável e o mau feitio divertido também!
Se alguém se questionar o porquê de continuar a tentar por uma causa perdida... apenas continuem a acreditar mesmo que, dia após dia, chorem e esta não é a maior fraqueza de um Homem... é sim a sua sinceridade a manifestar-se sem ser reconhecida!


(... pág 1 de 3)

domingo, 21 de abril de 2013

Rolha #13


D.S   A.F. 

"Continuo a questionar-me... porque não conseguimos avançar quando o rio enche e inunda toda a capacidade de absorver sentimentos, sensações e dogmas? Bem, como uma formiga acarreta sobre si uma finitude de peso a mais para atingir determinados objetivos de sobrevivência nós, seres humanos, temos de sofrer para que a sobrevivência se torne capaz de tornar, racionalmente, tudo o que somos e fazemos. (...) e é por isto que todos os dias, faça chuva ou sol, eu continuo a acreditar que a distância, a dor e o sentimento vivido de uma primeira vez que nunca existiu... consiga regressar"

segunda-feira, 25 de março de 2013

Rolha #12

O desespero é o silêncio que nos consome, sem saber como nem porquê. A porta da oportunidade fecha sempre que tentamos alcançar o que queremos. Inevitavelmente, a mágoa por metas incompletas sobressai e perdemos uma corrida onde o único velocista ficou em segundo lugar. 
O silêncio… tudo o que diz fica guardado, em nós. É como uma criança triste que joga à bola e se imagina num grupo de amigos que não existe. É triste uma criança não ter amigos, confiança e... sem saber o que é, verdadeiramente, sorrir.
As pessoas passam por nós e não querem saber. Vivemos numa sociedade corrompida, sem valores morais e, como as crianças solitárias, que não sorriem. A natureza fica mais vulnerável e o mundo enfraquece como os ossos de um velho que conta histórias da sua infância. Mas isto é saber viver. Sentir que cada ruga e osso enfraquecido tem algo para contar, ensinar e reviver. Pensado bem, de quem é culpa desta rotina desesperada de alcançar algo que nos cega? Apenas, e só, nossa. Deprimimos porquê? Porque o que queremos não é nosso? Fraco é o Homem que não se ajoelha e que não chora por isso. No entanto, ao longo da vida, temos de nos fortalecer, criar barreiras que suportem a dor e procurar, num jogo de emoções, sentimentos e caras, o que nos faz criar um arco íris num dia de chuva. Desesperante é não encontrar a cor e manter a vida a preto e branco.
Há sempre um mágico que fará magia e te fechará num "suspanse". Um ilusionista que te criará ilusões. Um palhaço que te soltará gargalhadas sem fim. Depende de ti, no teu desespero silencioso, escolher o que queres. Encontrar a chama de um fogo apagado é tão difícil como procurar a saída de um cela sem grades!


 Liberta-te ou entrega-te mas encontra a oportunidade!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Rolha #11


Quando o verdadeiro é forte um erro não apaga o sentimento! Independentemente de tudo, o coração controla toda a máquina sentimental. Retrocede por medo e perderás tudo! Avança e verás que uma oportunidade fará devolver-te o sorriso.

Cada pessoa tem a sua forma de ver as oportunidades que podem ser concedidas mas ninguém terá a capacidade de perceber o quão és capaz de mudar para a obter. Quando se diz "não" tens duas formas de ver as coisas: Ou esperas e lutas ou segues em frente! Qual das duas é mais importante?

Olha para o teu interior e questiona-te: O que me fará feliz? - Toma a decisão.

Nem tudo o que foi apagado por um erro tem de ser assim, esquecido. Reacende antes de desistires. Ou vai pelo caminho mais fácil e desiste. Mas algo é certo: desistir é morrer, é não acreditar... é sofrer.

No entanto, existe um contra. Tu não controlas tudo! Se te aperceberes, por muito que te custe, que um ponto final é colocado mesmo sem teres construído um início... afasta-te. E porquê? Porque o que achavas que para ti é verdadeiro não é um sentimento partilhado.

Não guardes rancor. Mostra que és forte mesmo que, todos os dias, a tua almofada seja a tua melhor amiga.

 Aproveita hoje e recorda amanhã. 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Rolha #10

Por vezes subsistem momentos que nos conduzem ao mais recôndito e mórbido fundo de alma, fazendo-nos suspirar de mágoa, partir sentimentos e desacreditar nas nossas reais idoneidades.
Pensamos que somos um corpo sem vida onde tudo nos acontece, que tudo é incapaz de remanescer num mesmo sítio… que somos apenas passageiros numa jornada infiel de costumes e desleal quando atingidos pela triste razão de que tudo tem um fim e que nada é para sempre.
Silenciosamente reflectimos e viajamos por entre ruelas de memórias e acabamos por lacrimejar, impiedosamente. Sem pedir autorização, vagueamos pela dor e amargura. Chorar é um impulso máximo do não querer mas que se deve fazer. Não é fraqueza mas sim sentimentalismo, o que prova que o ser humano é uma máquina natural verdadeiramente imperfeita da sua própria e adquirida perfeição.
Quando voltamos ao mundo real, fora dos horripilantes sonhos de uma verdade imaginária, olhamos para atrás e vemos que a acção terminou. Entendemos muito e pouco, mas algo é certo. As adversidades mudam cada um de nós. Somos uma irmandade de heróis que forjadamente moldam o nosso carácter e vencemos, quebrando o mal que não nos deixa avançar, e abre um rumo, novo por certo, que espreita um sorriso e novas descobertas alcançadas com o sofrimento.
No fim de percebermos tudo isto, nitidamente, devemos agradecer às pessoas especiais que sempre estiveram connosco, que nunca nos deixaram desistir e, fielmente. estiveram ao nosso lado.
As pessoas especiais são aquelas que no momento da verdade estão onde nós queremos que elas estejam, mesmo não pedindo ou conhecendo. Nada é mais forte do que um coração de um voluntário. Quando tal acontece, essas pessoas, dão um passo à frente, querendo reconhecer o impossível e tocar na pessoa com quem nunca tiveram nada, mas que sempre desejaram ter.

A distância pode parecer enorme depois de um erro mas se tudo for verdadeiro e as ações outras, de parte a parte, tudo pode voltar a ser próximo.  Unir um mar é fácil, separá-lo é bem mais difícil. 
Podemos sofrer mas é com tal sentimento e prova que nos fortalecemos, aprendemos e acabamos por vencer!

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